quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Aflita



Quando seu corpo implora para ficar sozinho, e dentro de um mausoléu, esquecer o mundo em que está, às vezes saciar o desejo avassalador de sua alma por uma companhia pode ser um belo objetivo.
Quando tudo parece está dando certo há uma sombra que lhe empurra para um precipício e te deixa morrer no cemitério da saudade.

Eu queria que as estrelas brilhassem para suavizar meu tormento destas madrugadas frígidas.
Eu queria que as flores não fossem mais esmaecidas e pudessem liberar o perfume da liberdade...São apenas desejos vãos...

O tempo me dilacera e o sangue envolve meu corpo nu em busca de prazer, mesmo que este não seja eterno.
A tristeza me aflige, mas eu deleito e tento esquecer. 



domingo, 16 de dezembro de 2012

Cybergoth



O estilo gótico é muito ligado a estética e rapidamente se transformou em uma estética fetichista, não adotado por todos os membros, mas muito conhecida, porém há um outro estilo que já está se tornando comum, os Cybergoths.

Cybergoth é uma cultura derivada do cyberpunk e gótico. É um estilo mais futurista onde a música industrial domina.
O nome foi dado pela Games Workshop num jogo de RPG chamado Futuro Sombrio (Dark Future).



A diferença entre um Gótico tradicional e um Cyber Gótico, é que enquanto um geralmente veste preto e/ou cores neutras, o outro usa roupas pretas com cores vibrantes como verde-limão, vermelho sangue, amarelo, azul, entre outras, e também, acessórios enormes como máscaras de gás, Cyberlox, óculos de aviador (geralmente usado no cabelo) e outras coisas, fora as roupas de sintético e botas grandes, sem deixar de lado também o tradicional visual fetichista como os espartilhos e meias arrastão.




Os Cyber góticos ouvem músicas com ''uma puxada'' mais eletrônica. EBM (Electronic Body Music), Industrial, Darkwave e Synthpop, são os gêneros mais dominantes neste espaço.
Integrantes desta subcultura adotaram o símbolo da Radioatividade como um dos principais sinais para diferencia-los em meio a outras tribos urbanas, até mesmo dos Góticos ''80's''. Bandas como Suicide Comando, Angel Spit, Xotox e Ayria, se destacam.



Fotos de Cybergoths ná Página do Alba Lupus AQUI.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Lua Negra

Saudações leitores!!!  A seguir, um poema feito por um amigo, aliás, John, muito obrigada.
 Espero que gostem:


Estou caindo, direto na minha sombra
com a respiração presa.
A Noite Morta está esperando,
Não te assustes.
Se desejas algum tipo de mundo,
ela pode está refletindo naqueles olhos.
Vejo-te em um sonho,
Mesmo que este seja pesadelo,
sinto enorme prazer.
Fada azul, 
por ti quebrarei as estrelas.
Lua Negra de Papel,
se acreditares em mim
Quando estiveres perdida "aqui",
Eu estarei "para sempre" com sua alma.

Red John

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Storm the sorrow

Já havia feito uma postagem sobre o novo álbum do Epica - Requiem for the indifferent e postarei hoje o clipe da faixa Storm the sorrow (Invarir a tristeza) que pertence a este álbum e sua tradução. Espero que vocês gostem.


Invadir a Tristeza

Ao longo do caminho eu me encontro
Para ser confinado dentro de mim
Não há lugar para qualquer outra mente interferir
Para compreender o significado de tudo
Para superar os meus limites
E dançar longe de qualquer vazio e sons vazios

Apenas me diga por que
Apenas me diga como
Eu posso sobreviver desta vez

Acredite em você e olhe para longe
De tudo o que é certo dentro de você
Deixe todas as suas preocupações à porta e afaste-se,
Eu tentei perscrutar dentro do núcleo
Mas não pude invadir a tristeza
Meu coração vazio sangrou secamente, me deixou a vaguear

Outra vez sem deixar rastros,
Me condene agora
Envie-me para o inferno
Porque eu já estou caindo

Entrelace as linhas
E mergulhe sob o escuro
Perceba a dor em que vivemos
Diabolize a necessidade que bobinamos, não
Em minhas memórias eu vou cavar fundo o suficiente para saber
Séculos de sonhos intermináveis
De outro que me rendeu lágrimas quando alguém traiu

Sem tempo para desperdiçar
Não é tão complicado
Você é livre para viver a sua vida à vontade
Sem mais restrições

Sem calor para sombras no seu caminho
Que tentam roubar seu riso
Suas luzes irão conduzir todos eles
Seja confiante

Eu me conterei?
Eu posso me arrepender?
Você vai estar lá?
Apague a página
Onde eu estou sozinho e doente

Entrelace as linhas
E mergulhe sob o escuro
Perceba a dor em que vivemos
Diabolize a necessidade que bobinamos, não
Em minhas memórias eu vou cavar fundo o suficiente para saber
Séculos de sonhos intermináveis
De outro que me rendeu lágrimas quando alguém traiu

Então, esta é minha vida
E ela não vai me derrubar
Vá, eu vou decidir
Quem pode entrar e curar minha doença
Queimá-la em chamas
Matá-la e mutilar
Por que você não consegue ver que você precisa ser liberto?

Entrelace as linhas debaixo da escuridão
Cada pedaço de dor que estamos sentindo
Cada outra vida solene
Nas memórias você vai encontrar algum modo
Lá usado de ser um sonho interminável
Não precisa mais estar sozinho

Entrelace as linhas
E mergulhe sob o escuro
Perceba a dor em que vivemos
Diabolize a necessidade que bobinamos, não
Em minhas memórias eu vou cavar fundo o suficiente para saber
Séculos de sonhos intermináveis
De outro que me rendeu lágrimas quando alguém traiu
Alguém traiu.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Edgar Allan Poe



Nascido dia 19 de Janeiro de 1809 em Bostom e falecido dia 7 de Outubro de 1849 em Baltimore, Edgar Allan Poe, foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, fez parte do movimento romântico americano e um dos primeiros autores americanos de conto. 

Poe ficou mais conhecido também como o primeiro autor de um romance policial moderno e por suas histórias macabras, com atmosfera gótica, como no poema O Corvo e o conto A queda da casa de Usher. Ele é uma grande fonte de inspiração para vários artistas.

Seu pai, que era ator, o abandonou com sua mãe, que também era atora e mais tarde veio a falecer.  Após isso foi acolhido por um casal de franceses, que o levaram para  uma longa viagem a Escócia e Inglaterra, onde recebeu educação clássica.
Frequentou uma faculdade em Virgínia, mas a deixou por falta de dinheiro, porém há alguns boatos dizendo que Poe foi expulso. 

Após ter saído da faculdade, Poe entrou nas forças armadas, serviu durante 2 anos e depois que falhou como cadete foi dispensando.
Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas. Em 1827, Edgar escreve Tamerlane and Other Poems.

Poe passou a trabalhar para revistas e jornais e ficou conhecido pelo seu estilo de critica literário. Mudou-se para várias cidades por conta de seu trabalho.
Casou-se em 1835 com Virginia, sua prima de 13 anos. 

Em 1845 publicou O Corvo, um poema de muito sucesso. Em 1847 sua esposa morreu de tuberculose.
Em 7 de outubro de 1849, antes que uma produção de seu próprio jornal pudesse ser publicado, Edgar Allan Poe falece aos 40 anos e a causa de sua morte é desconhecida. Tudo o que se sabe sobre seu fim é que, foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de psicose causada por algum tipo de abstinência que pode ser causada pela falta de álcool ou de remédios. No delirium tremens o afetado vê insetos asquerosos, e é um delírio fatal, pois há o desequilíbrio hidro-eletrolítico do corpo.

Poe foi levado ao hospital aonde veio há falecer quatro dias depois, mas nunca conseguiu estabelecer um discurso suficientemente coerente, de modo a explicar como tinha chegado à situação na qual foi encontrado. As suas últimas palavras teriam sido, de acordo com determinadas fontes: “Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe”.
Algumas de suas obras:
A Dream Within a Dream
Alone 
To Helen 
The Narrative of Arthur Gordon Pym
Silence
Lenore 
The Black Cat 
Dreamland 
The Raven
Eureka 
Annabel Lee
The Coliseum
Sonnet:To Zante
The Haunted Palace
FairyLand
Berenice 
Ligeia 
The Masque of the Red Death
The Murders in the Rue Morgue
The Mystery of Marie Rogêt)

Curiosidades:
O filme The Murders in the Rue Morgue (Os assassinatos na Rua Morgue) teve uma adaptação para cinema e foi estreado por Bela Lugosi em 1932. Mais tarde o filme passou a ter novas versões.

Tim Burton (Clique e veja a postagem), grande autor do mundo moderno, que adora contos de horror é inspirado nos livros de Poe que lia quando era criança.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sonho



No inicio da noite
te encontrei.
Um ser triste e solitário,
me aproximei.
Te disse Olá!
mas a resposta foi um olhar vazio.
Angustiado fiquei ao te ver assim.

Um abraço te dei
tentando aquecer seu corpo
A chuva caiu
então acordei.
Da cama levantei, de repente,
olhei no espelho e tremia de frio.
Ao meu redor não havia você,
apenas eu e o vazio.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bram Stoker



Abraham "Bram" Stoker, nasceu em Dublin dia 8 de Novembro de 1847, sendo o terceiro filho entre sete irmãos e faleceu dia 20 de Abril de 1912 em Londres.
Bram passou grande parte de sua vida ouvindo histórias de terror contadas por sua mãe, o que contribui para sua criatividade e crescimento artístico.
Foi um escritor romancista, poeta e contista irlandês, mais conhecido atualmente por seu romance gótico Drácula, que foi inspirado no principe romeno, Vlad Tepes, O Empalador, cuja obra deu origem ao filme Nosferatu (1922), este, foi uma forte inspiração para filmes de terror.

Em 1878 Stoker casou-se com Florence Balcombe emudou-se para Londres, onde passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum, assumindo várias funções e permanecendo nela por 27 anos. Em 31 de Dezembro de 1879 nasceu seu único filho.
Trabalhando para o ator Henry Irving, Stoker viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famoso romance. Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres, onde foi cremado.

Parabéns pelo seu trabalho Bram!

Algumas de suas obras:
1879 - Os Deveres dos Oficiais das Sessões na Irlanda
1882 - Coleção de contos Sob o Sol
1891 - O Castelo da Serpente
1897 - 26 de maio - Drácula
1903 - A jóia das sete estrelas
1904 -  O homem
1909 - Publica O Caixão da Mulher -Vampiro
1911 - A toca do Verme branco

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Venha à noite




O eco dos espíritos não me assombram mais, a escuridão é minha mãe, minha fonte de energia. Poderosa, perfeita e santa.

- Que fazer com os homens perdidos? Acolhe-los no manto da noite, no vente da rainha.

- Venha à mim, liberte-se. Não tenha medo de confessar suas lágrimas de sangue. O suposto fim pode estar onde menos se espera, assim como pode ser tão obvio.

Não tema a morte, ela é como toda realidade. Se for sua vez de vivenciá-la, não há escapatória.

sábado, 20 de outubro de 2012

Bela Lugosi


Béla Ferenc Dezsõ Blaskó, mais conhecido como Béla Lugosi nasceu em 20 de Outubro de 1882 na Hungria e faleceu em 16 de agosto de 1956  em Los Angeles.
FELIZ ANIVERSÁRIO LUGOSI! (20/10)

Béla Lugosi começou a sua carreira nos palcos da Europa em várias peças de William Shakespeare. Mas no entanto tornou-se famoso pelo seu papel de Drácula numa encenação da clássica história de vampiro de Bram Stoker, e teve como especialidade os filmes de horror.

Béla Lugosi fugiu de casa com 11 anos, abandonou a escola e engajou-se no trabalho de mineração. Na adolescência começou a atuar em pequenas companhias teatrais. O caminho mais comum o guiou do teatro para o cinema mudo húngaro, atuando com o nome artístico de Arisztid Olt. Porém, teve que interromper seu início de atividades no cinema graças à Primeira Guerra Mundial. Há boatos de que ele tenha sido ferido três vezes, assim causando sua futura dependência em morfina para aliviar as dores que seguiram por sua vida inteira. Há também uma versão que diz que ele conseguiu ser liberado do serviço se passando por louco.

Fez cerca de 12 filmes, casou-se pela primeira de cinco vezes e saiu da Hungria por conta das suas opiniões políticas. Ele se refugiou na Alemanha, mas passou pouco tempo no país e foi para o país onde conseguiu alcançar a fama: os Estados Unidos. Béla participou do teatro na comunidade húngaro-americana, e após algum tempo ganhou a oportunidade de interpretar Drácula numa adaptação teatral escrita por John Balderston.
Sua interpretação única e assustadora nesta peça foi que abriu as portas para seu estrelato no cinema. O diretor Tod Browing descobriu e o chamou para interpretar o vampiro em sua versão cinematográfica de Drácula. Este papel deu estrelato a Lugosi, mas ao mesmo tempo o marcou como "um ator de um só papel".

Alguns de muitos Filmes em que trabalhou:

1930 Renegades
1931 Drácula
1932 White Zombie
1933 Night of Terror
1933 The Devil's in Love
1933 The Death Kiss
1934 The Black Cat
1935 The Raven
1935 Mark of the Vampire
1936 Dracula's Daughter
1939 Son of Frankenstein
1940 Black Friday
1941 The Wolf Man
1941 The Black Cat
1947 Scared to Death
1948 Abbott and Costello Meet Frankenstein
1953 Glen or Glenda?
1955 Bride of the Monster

Curiosidades:
Bauhaus, uma banda de rock formada em Northampton em 1978, escreveu uma canção intitulada Bela Lugosi's Dead, lançado em agosto de 1979, e é muitas vezes considerado o primeiro disco de rock gótico.

Em 1963, Andy Warhol fez uma pintura de telas de seda com imagens de Lugosi de um filme de Drácula. A pintura está na coleção do Museu Boijmans van Beuningen.
A capa que Lugosi usou no filme Dracula sobrevive ainda hoje na posse da Universal Studios.
Ganhou uma estrela na Calçada da Fama.

Sobre a homenagem que o Bauhaus fez:
Primeiro single de Bauhaus lançado em agosto de 1979. Ele não entrou nas paradas pop britânicas naquela época. Foi lançado em CD em 1988 e foi compilado no álbum de 1998, Crackle - The Best Of Bauhaus. A arte original da capa foi tirada do filme O Gabinete.

A canção foi apresentada no filme de Tony Scott lançado em 1983: Fome de Viver (The Hunger), com Bauhaus sendo retratando como uma banda em uma boate, tocando a música durante os créditos de abertura e introdução.


Extraído de: WIKIPÉDIA - BELA LUGOSI

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Acolha-me

Estou trabalhando em uma música e para iniciar o mês de outubro no Alba Lupus deixarei um pedaço dela aqui para meus leitores:



Quando o mundo em trevas caiu 
ninguém sentou ao meu lado.
Meu coração ficou quebrado.
Não pertenço a este lugar,
necessito me afastar.
Dormirei eternamente
e deixarei a morte contente.

Ela sempre caminhou comigo
em teus braços, meu abrigo.

Deusa vem me acolher
é no teu manto estranho
que vou sobreviver.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dica de filmes: Akasha e Drácula



Rainha dos Condenados é um filme de terror estadunidense de 2002, produto de uma adaptação cinematográfica do terceiro volume das Crônicas Vampirescas da escritora Anne Rice, de mesmo nome, apesar de conter também parte do enredo do livro antecedente, O Vampiro Lestat. Traz Aaliyah no papel que dá nome ao filme e Stuart Townsend no papel do vampiro Lestat. Sua estréia ocorreu seis meses após a morte de Aaliyah em um acidente aéreo, sendo dedicado à sua memória.
A trilha sonora tem músicas exclusivas de bandas como Korn, Static-X, Marilyn Manson e Disturbed, Linkin Park, Dry Cell,Slipknot entre outras, o total é de 14 músicas em sua trilha sonora.

O vampiro Lestat reinventou a si mesmo e agora é uma grande estrela do rock contemporâneo nos Estados Unidos. Sua música acaba despertando Akasha, a rainha de todos os vampiros, cujo poder é tão grande que para combatê-la todos os vampiros da face da Terra precisarão se unir a fim de evitar sua própria extinção. Mas assim como a música de Lestat inspira Akasha, que deseja fazer dele seu rei, ela também faz com que Jesse, uma jovem fascinada pelo lado negro da vida, se apaixone por Lestat.

Drácula de Bram Stoker  é um filme americano de 1992, baseado na obra literária de Bram Stoker, escritor irlandês. O filme é dirigido pelo renomado diretor Francis Ford Coppola, também diretor de The Godfather, Apocalypse Now, The Godfather Part II, Cotton Club e Peggy Sue Got Married.
No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste a reencarnação da sua amada. 

Deste modo, o deixa preso com suas "noivas" e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos.

sábado, 8 de setembro de 2012

Dança Tribal Gótica



A dança tribal gótica é a dança do ventre tradicional em fusão com danças folclóricas de vários lugares e elementos da subcultura gótica, são eles a música e a estética.
A estética chama muito a atenção. Tanto na subcultura gótica como na dança tribal, os olhos sempre tendem a ser marcantes, então uma mistura dos dois seria (é) perfeito. Além dos olhos chamativos, enfeites na cabeça são bem vindos, afinal, na dança não se usa apenas a cintura.
Cada bailaria tem um jeito diferente de dançar, por isso que em cada uma sempre existe um aspecto forte. Elas são livres para criar seu estilo, mas é preciso compreender que estas dançarinas têm uma intenção em comum, exaltar o que elas chamam de valores ligados ao feminino e ao planeta Terra, como matriz criadora.
Aqui estão alguns nomes da Dark fusion, como alguns a chamam: Ashara, Ariellah, Xahira e Jeniviva.

No Brasil não há uma distinção clara entre dança do ventre e dança tribal, as dançarinas assumidamente tribais investem em elementos comuns ao estilo gótico, mas não se posicionam como dançarinas puramente góticas. Muito diferente do que acontece nos Estados Unidos, berço do estilo tribal e do estilo gótico, este último é visto como um estilo independente.
O estilo da Dança Tribal Gótica se dividem em duas subcategorias, a dança tribal puramente gótica, onde a dançarina se entrega profundamente ao estilo e ao estudo do mesmo e que, muitas vezes pertencem a ele e a dança tribal inspirada nos elementos góticos, a que apresenta apenas a estética gótica.
A Dança Tribal Gótica é mais um elemento sensual implantado a subcultura, esta que está sempre se renovando, criando dimensões que demonstram um sentimento através de uma densa interpretação.



A Dança Tribal


Saudações novamente! Hoje postarei um pouco do que estudei sobre dança tribal, para que, você possa entender o próximo assunto do blog, a Dança Tribal Gótica, uma modalidade que eu muito aprecio, e que  combina bastante com a nossa subcultura. Espero que gostem, brevemente voltarei com meus poemas e mais informações sobre nosso mundo.
Boa leitura.
Conceito

Estilo Tribal é uma modalidade de dança que, tendo como base a dança do ventre, funde arquétipos, conceitos e movimentos de danças étnicas das mais   variadas   regiões,   como   o   Flamenco,   a   Dança   Indiana   e   danças folclóricas   de   diversas   partes   do   Oriente,   desde   as   tradicionais
manifestações folclóricas já bem conhecidas pelas bailarinas de dança do ventre às danças tribais da África Central.

Falar sobre Tribal é mostrar, com o corpo, a rede cultural dos povos do mundo.
O termo se refere à comunidade, grupo, família, aspectos do feminino que trabalham a preservação da espécie, o cuidado com o outro, a manutenção da vida e do lar.
Para dançar Tribal é preciso conhecer as etnias que irão compor o estilo   através   de   estudo,   o   que   fará   com   que   nos   aproximemos   das diversidades culturais, dando margem à nossa compreensão das mesmas.

O Estilo Tribal parece preencher a lacuna aberta na liberdade criativa, poética das mulheres, o que elas chamam de mistério feminino oriental. Existe, de fato, uma construção imagética forte que permite um retorno ao passado e ao mesmo tempo, uma perspectiva de futuro. Interessante observar que esta dança parece ter êxito no intento de unir o moderno ao ancestral.
A Dança Tribal permite a liberdade criativa, as artistas podem   ampliar   seu   vocabulário   gestual, utilizando   técnicas   tanto   ocidentais   quanto orientais, toda criação é bem vinda no Tribal.

Quando surgiu

Surgiu nos  EUA, em 1969, quando a dançarina Jamila Salimpour, ao  fazer  uma viagem ao  Oriente, se encantou  com os  costumes  dos  povos tribais. Fascinada  pela  dança, pela  estética  e pelo  universo  místico  do  Oriente, Jamila resolve acrescentar  e mesclar os elementos que havia conhecido na viagem. Junto à sua trupe   Bal   Anat,   Jamila   passou   a   desenvolver   coreografias   que   utilizavam   passos característicos da dança oriental e acessórios das danças folclóricas. Ela tomou como base as   lendas   tradicionais   do   Oriente   para   criar   uma   espécie   de   dança-­teatro, criando   um figurino inspirado  no vestuário  típico  das  mulheres  orientais, que ficou como uma das características mais marcantes do Tribal.
Poderia-­se pensar  que a origem da Dança Tribal se restringiria à década de 1970,  quando  foi criada, mas,  por  traz   desse   movimento  podemos   observar   que,  na verdade esta dança é produto de uma onda cultural, estética, exotérica, que começou a se formar  e tomar  corpo no cenário mundial a partir  das décadas de 1960 e 1970. Ela diz respeito a um discurso que falava da sacralidade do planeta, movimento que culminou com o surgimento da cultura Hippie; dos grupos de Bruxaria, surgidos na Inglaterra e depois disseminados nos Estados Unidos; de uma revalorização do Xamanismo; da emancipação feminina; e do crescimento de movimentos ecológicos.

É muito  provável que o  trabalho  das  dançarinas  do  Estilo  Tribal tenha sua
origem na conexão com a consciência de Gaia. É conhecida a teoria de McKenna de que o planeta  Terra  tem uma  mente  pensante, uma  Ânima  Mundi ou  alma  do  mundo. Esse conceito não é novo, Platão já se referia a alma do mundo, mas só agora a ciência parececomeçar a se abrir para essa idéia. Semelhante à rede mundial de computadores, a Internet, a mente de Gaia une a tudo por meio de fios comunicacionais, os campos morfogenéticos de   Sheldrake.   Isso   significa   que   de   algum   modo   a   Terra   pode   comunicar-­se   com   a humanidade e esses cientistas acreditam que as práticas xamânicas e a arte são algumas dessas formas. A Dança Tribal deve ser entendida, nesse âmbito, não apenas como uma manifestação artística, mas como aquilo que a Arte tem de mais próximo da expressão mítica, como uma linguagem semelhante a dos mitos e dos sonhos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Tic-tac


Saudações leitores! 
Fiquei muito tempo sem aparecer, pois estava resolvendo alguns problemas e ainda continuo muito ocupada, mas, já pensei em assuntos novos para o Alba Lupus. Enquanto não escrevo, vocês podem dar uma olhada na Página do Facebook, que sempre estará com pequenas postagens e algumas imagens.

Deixo para vocês um texto que produzi ontem. 
Até mais!



TIC-TAC

Eu vim para dizer
que você terá a mente corrrompida.
Sou velha de mais para poder fazer algo,
mas ainda posso dizer:
Eles te darão doces, vestidos coloridos e carrinhos
e depois te colocarão uma coleira.
De repente algo tapa seus olhos.
Você não sabe o que fazer,
pois adorou os presentes e confiou em Noel.

(TIC-TAC) Enquanto você cresce
a coleira te sufoca mais e mais.
Está acabando o processo
e você vai morrer.
Vai morrer com o processo da sucção de cerébro.

Seria mesmo ingenuidade pequena criança?
Ou tudo foi fruto da sua perfeita ignorância?

Eu vim para dizer 
que sua mente foi corrompida.
Sou velha de mais para poder fazer algo,
mas ainda posso dizer:
Talvez seus filhos também aceitarão doces
e terão o mesmo destino macabro,
mas se de repente alguma fada aparecer
eles poderão ser salvos.

(TIC-TAC) Enquanto você cresce
a coleira te sufoca mais e mais.
EstÁ acabando o processo
e você vai morrer.
Vai morrer com o processo da sucção de cerébro.

Sou velha de mais
para poder fazer algo...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dedicatória

Kalel Luiz, como sempre, mostrando-se gentil. Muito obrigada pela dedicatória. Gostei muito e estou publicando aqui no Alba Lupus, esperando que os leitores também gostem.




Aqui me deito para sempre e toda tristeza que ainda permanece se esvai…
O sangue me empurrara para baixo e me banhara com meus pecados e sinas.
A corrente me afogará e me levará embora para sempre?
De repente a luz começa a enfraquecer bem diante de mim.
Silenciosamente meu corpo vai abaixo,o vento da noite bate em meu rosto.
Eu não estou com medo,eu não estou aflito,não parece me atrapalhar.
Eu consigo ver o brilho da luz da lua…
E lentamente me afasto e me sinto seguro em dizer que tudo acabou afundado na sepultura.
Nada sobrou,mas eu estou bem acordado.
Eu consigo ouvir a morte chamar o meu nome.
Agora eu consigo me ver gritando por dentro…
Eu estou despedaçado e castigado
Tento encobrir o sangue de minhas feridas.
Vou lutar contra a perda
Morto por dentro.
Deixe-me no fundo pois eu estou perdido para sempre
Agora ha cartas do mundo dos mortos em meu nome.
Digo adeus…
Tristeza cai sobre mim junto com a escuridão da noite
Esta será a última vez que estarei perdido 
Dias melhores estarão a começar a final…
Mas vou começar a seguir meu caminho.
E fechar os olhos…sem olhar para trás !

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Passeio noturno

Olá Leitores, sejam bem vindos ao nosso mundo, como sempre. Hoje vou deixar um conto à vocês, sobre este, quero fazer uma observação: Está tudo digitado como realmente foi escrito, as opções de pontuação foram do autor.


Parte 1
Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar. Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos uma conta bancária conjunta.
Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.
Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.

Parte 2
Eu ia para casa quando um carro encostou no meu, buzinando insistentemente. Uma mulher dirigia, abaixei os vidros do carro para entender o que ela dizia. Uma lufada de ar quente entrou com o som da voz dela: Não está mais conhecendo os outros?
Eu nunca tinha visto aquela mulher. Sorri polidamente. Outros carros buzinaram atrás dos nossos. A avenida Atlântica, às sete horas da noite, é muito movimentada.
A mulher, movendo-se no banco do seu carro, colocou o braço direito para fora e disse, olha um presentinho para você.
Estiquei meu braço e ela colocou um papel na minha mão. Depois arrancou com o carro, dando uma gargalhada.
Guardei o papel no bolso. Chegando em casa, fui ver o que estava escrito. Ângela, 2873594. À noite, saí, como sempre faço. No dia seguinte telefonei. Uma mulher atendeu. Perguntei se Ângela estava. Não estava. Havia ido à aula. Pela voz, via-se que devia ser a empregada. Perguntei se Ângela era estudante. Ela é artista, respondeu a mulher.
Liguei mais tarde. Ângela atendeu.
Sou aquele cara do Jaguar preto, eu disse.
Você sabe que eu não consegui identificar o seu carro? Apanho você às nove horas para jantarmos, eu disse.
Espera aí, calma. O que foi que você pensou de mim? Nada.
Eu laço você na rua e você não pensou nada? Não. Qual é o seu endereço?
Ela morava na Lagoa, na curva do Cantagalo. Um bom lugar. Estava na porta me esperando. Perguntei onde queria jantar. Ângela respondeu que em qualquer restaurante, desde que fosse fino. Ela estava muito diferente. Usava uma maquiagem pesada, que tornava o seu rosto mais experiente, menos humano.
Quando telefonei da primeira vez disseram que você tinha ido à aula. Aula de quê? eu disse. Impostação de voz.
Tenho uma filha que também estuda impostação de voz. Você é atriz, não é? Eu gosto muito de cinema. Quais foram os filmes que você fez? Só fiz um, que está agora em fase de montagem. O nome é meio bobo, As virgens desvairadas, não é um filme muito bom, mas estou começando, posso esperar, tenho só vinte anos. Na semi-escuridão do carro ela parecia ter vinte e cinco.
Parei o carro na Bartolomeu Mitre e fomos andando a pé na direção do restaurante Mário, na rua Ataulfo de Paiva.
Fica muito cheio em frente ao restaurante, eu disse.
O porteiro guarda o carro, você não sabia?, ela disse. Sei até demais. Uma vez ele amassou o meu. Quando entramos, Ângela lançou um olhar desdenhoso sobre as pessoas que estavam no restaurante. Eu nunca havia ido àquele lugar.
Procurei ver algum conhecido. Era cedo e havia poucas pessoas. Numa mesa um homem de meia-idade com um rapaz e uma moça. Apenas três outras mesas estavam ocupadas, com casais entretidos em suas conversas. Ninguém me conhecia. Ângela pediu um martíni.
Você não bebe?, Ângela perguntou. Às vezes.
Agora diga, falando sério, você não pensou nada mesmo, quando eu te passei o bilhete? Não. Mas se você quer, eu penso agora, eu disse. Pensa, Ângela disse. Existem duas hipóteses. A primeira é que você me viu no carro e se interessou pelo meu perfil. Você é uma mulher agressiva, impulsiva e decidiu me conhecer. Uma coisa instintiva. Apanhou um pedaço de papel arrancado de um caderno e escreveu rapidamente o nome e o telefone. Aliás quase não deu para eu decifrar o nome que você escreveu. E a segunda hipótese? Que você é uma puta e sai com uma bolsa cheia de pedaços de papel escritos com o seu nome e o telefone. Cada vez que você encontra um sujeito num carro grande, com cara de rico e idiota, você dá o número para ele. Para cada vinte papelinhos distribuídos, uns dez telefonam para você.
E qual a hipótese que você escolhe?, Ângela disse. A segunda. Que você é uma puta, eu disse. Ângela ficou bebendo o martíni como se não tivesse ouvido o que eu havia dito. Bebi minha água mineral. Ela olhou para mim, querendo demonstrar sua superioridade, levantando a sobrancelha - era má atriz, via-se que estava perturbada - e disse: você mesmo reconheceu que era um bilhete escrito às pressas dentro do carro, quase ilegível.
Uma puta inteligente prepararia todos os bilhetinhos em casa, dessa maneira, antes de sair, para enganar os seus fregueses, eu disse.
Não. Ou melhor, não me interessa, eu disse. Como que não interessa? Ela estava intrigada e não sabia o que fazer. Queria que eu dissesse algo que a ajudasse a tomar uma decisão.
Simplesmente não interessa. Vamos jantar, eu disse.
Com um gesto chamei o maître. Escolhemos a comida. Ângela tomou mais dois martínis.
Nunca fui tão humilhada em minha vida. A voz de Ângela soava ligeiramente pastosa. Eu se fosse você não bebia mais, para poder ficar em condições de fugir de mim, na hora em que for preciso, eu disse.
Eu não quero fugir de você, disse Ângela esvaziando de um gole o que restava na taça. Quero outro.
Aquela situação, eu e ela dentro do restaurante, me aborrecia. Depois ia ser bom. Mas conversar com Ângela não significava mais nada para mim, naquele momento interlocutório. O que é que você faz?
Controlo a distribuição de tóxicos na zona sul, eu disse. Isso é verdade?
Você não viu o meu carro?
Você pode ser um industrial.
Escolhe a sua hipótese. Eu escolhi a minha, eu disse. Industrial. Errou. Traficante. E não estou gostando desse facho de luz sobre a minha cabeça. Me lembra as vezes em que fui preso.
Não acredito numa só palavra do que você diz. Foi a minha vez de fazer uma pausa. Você tem razão. É tudo mentira. Olha bem para o meu rosto. Vê se você consegue descobrir alguma coisa, eu disse.
Ângela tocou de leve no meu queixo, puxando meu rosto para o raio de luz que descia do teto e me olhou imensamente.
Não vejo nada. Teu rosto parece o retrato de alguém fazendo uma pose, um retrato amigo, de um desconhecido, disse Ângela: Ela também parecia o retrato antigo de um desconhecido. Olhei o relógio.
Vamos embora?, eu disse. Entramos no carro. Às vezes a gente pensa que uma coisa vai dar cerro e dá errado, disse Ângela. O azar de um é a sorte do outro, eu disse. menino e viajava de noite a lua sempre me acompanhava, varando as nuvens, por mais que o carro corresse.
Vou deixar você um pouco antes da sua casa, eu disse. Por quê?
Sou casado. O irmão da minha mulher mora no teu edifício. Não é aquele que fica na curva? Não gostaria que ele me visse. Ele conhece o meu carro. Não há outro igual no Rio.
A gente não vai se ver mais?, Ângela perguntou. Acho difícil.
Todos os homens se apaixonam por mim. Acredito.
E você não é lá essas grandes coisas. O teu carro é melhor do que você, disse Ângela. Um completa o outro, eu disse. Ela saltou. Foi andando pela calçada, lentamente, fácil demais, e ainda por cima mulher, mas eu tinha que ir logo para casa, já estava ficando tarde.
Apaguei as luzes e acelerei o carro. Tinha que bater e passar por cima. Não podia correr o risco de deixá-Ia viva. Ela sabia muita coisa a meu respeito, era a única pessoa que havia visto o meu rosto, entre todas as outras. E conhecia também o meu carro. Mas qual era o problema? Ninguém havia escapado.
Bati em Ângela com o lado esquerdo do pára-lama, jogando o seu corpo um pouco adiante, e passei, primeiro com a roda da frente - e senti o som surdo da frágil estrutura do corpo se esmigalhando - e logo atropelei com a roda traseira, um golpe de misericórdia, pois ela já estava liquidada, apenas talvez ainda sentisse um distante resto de dor e perplexidade.
Quando cheguei em casa minha mulher estava vendo televisão, um filme colorido, dublado.
Hoje você demorou mais. Estava muito nervoso?, ela disse.
Estava. Mas já passou. Agora vou dormir. Amanhã vou ter um dia terrível na companhia.


Autor: Rubens Fonseca

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ciarán's well


Noites frias e nubladas
Você irá ouvi-la suspirar e cantar amargamente
doces cantigas.
Durante anos ela rezou.
Os santos lançariam um feitiço 
para a floresta deixá-la ir

Ela canta...
Ela sonha...
Ela reza...

O velho poço negro guarda antigas histórias
e faz todos os desejos se tornarem realidade
Então jogue seu sonho na escuridão
e a tristeza virá até você.

Ela canta...
Ela sonha...
Ela reza...

Ela canta...
Ela toca...
Ela fica...

"Você está seguro comigo,
venha até mim e banhe-se nestas sagradas, 
água santificadas.
Purifique sua alma e mente, 
eu levarei sua tristeza para longe
Eu irei libertá-la de sua dor, 
os santos hão de cuidar de você. 
A salvação está perto, respire a vida, minha querida."