segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dedicatória

Kalel Luiz, como sempre, mostrando-se gentil. Muito obrigada pela dedicatória. Gostei muito e estou publicando aqui no Alba Lupus, esperando que os leitores também gostem.




Aqui me deito para sempre e toda tristeza que ainda permanece se esvai…
O sangue me empurrara para baixo e me banhara com meus pecados e sinas.
A corrente me afogará e me levará embora para sempre?
De repente a luz começa a enfraquecer bem diante de mim.
Silenciosamente meu corpo vai abaixo,o vento da noite bate em meu rosto.
Eu não estou com medo,eu não estou aflito,não parece me atrapalhar.
Eu consigo ver o brilho da luz da lua…
E lentamente me afasto e me sinto seguro em dizer que tudo acabou afundado na sepultura.
Nada sobrou,mas eu estou bem acordado.
Eu consigo ouvir a morte chamar o meu nome.
Agora eu consigo me ver gritando por dentro…
Eu estou despedaçado e castigado
Tento encobrir o sangue de minhas feridas.
Vou lutar contra a perda
Morto por dentro.
Deixe-me no fundo pois eu estou perdido para sempre
Agora ha cartas do mundo dos mortos em meu nome.
Digo adeus…
Tristeza cai sobre mim junto com a escuridão da noite
Esta será a última vez que estarei perdido 
Dias melhores estarão a começar a final…
Mas vou começar a seguir meu caminho.
E fechar os olhos…sem olhar para trás !

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Passeio noturno

Olá Leitores, sejam bem vindos ao nosso mundo, como sempre. Hoje vou deixar um conto à vocês, sobre este, quero fazer uma observação: Está tudo digitado como realmente foi escrito, as opções de pontuação foram do autor.


Parte 1
Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar. Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos uma conta bancária conjunta.
Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.
Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.

Parte 2
Eu ia para casa quando um carro encostou no meu, buzinando insistentemente. Uma mulher dirigia, abaixei os vidros do carro para entender o que ela dizia. Uma lufada de ar quente entrou com o som da voz dela: Não está mais conhecendo os outros?
Eu nunca tinha visto aquela mulher. Sorri polidamente. Outros carros buzinaram atrás dos nossos. A avenida Atlântica, às sete horas da noite, é muito movimentada.
A mulher, movendo-se no banco do seu carro, colocou o braço direito para fora e disse, olha um presentinho para você.
Estiquei meu braço e ela colocou um papel na minha mão. Depois arrancou com o carro, dando uma gargalhada.
Guardei o papel no bolso. Chegando em casa, fui ver o que estava escrito. Ângela, 2873594. À noite, saí, como sempre faço. No dia seguinte telefonei. Uma mulher atendeu. Perguntei se Ângela estava. Não estava. Havia ido à aula. Pela voz, via-se que devia ser a empregada. Perguntei se Ângela era estudante. Ela é artista, respondeu a mulher.
Liguei mais tarde. Ângela atendeu.
Sou aquele cara do Jaguar preto, eu disse.
Você sabe que eu não consegui identificar o seu carro? Apanho você às nove horas para jantarmos, eu disse.
Espera aí, calma. O que foi que você pensou de mim? Nada.
Eu laço você na rua e você não pensou nada? Não. Qual é o seu endereço?
Ela morava na Lagoa, na curva do Cantagalo. Um bom lugar. Estava na porta me esperando. Perguntei onde queria jantar. Ângela respondeu que em qualquer restaurante, desde que fosse fino. Ela estava muito diferente. Usava uma maquiagem pesada, que tornava o seu rosto mais experiente, menos humano.
Quando telefonei da primeira vez disseram que você tinha ido à aula. Aula de quê? eu disse. Impostação de voz.
Tenho uma filha que também estuda impostação de voz. Você é atriz, não é? Eu gosto muito de cinema. Quais foram os filmes que você fez? Só fiz um, que está agora em fase de montagem. O nome é meio bobo, As virgens desvairadas, não é um filme muito bom, mas estou começando, posso esperar, tenho só vinte anos. Na semi-escuridão do carro ela parecia ter vinte e cinco.
Parei o carro na Bartolomeu Mitre e fomos andando a pé na direção do restaurante Mário, na rua Ataulfo de Paiva.
Fica muito cheio em frente ao restaurante, eu disse.
O porteiro guarda o carro, você não sabia?, ela disse. Sei até demais. Uma vez ele amassou o meu. Quando entramos, Ângela lançou um olhar desdenhoso sobre as pessoas que estavam no restaurante. Eu nunca havia ido àquele lugar.
Procurei ver algum conhecido. Era cedo e havia poucas pessoas. Numa mesa um homem de meia-idade com um rapaz e uma moça. Apenas três outras mesas estavam ocupadas, com casais entretidos em suas conversas. Ninguém me conhecia. Ângela pediu um martíni.
Você não bebe?, Ângela perguntou. Às vezes.
Agora diga, falando sério, você não pensou nada mesmo, quando eu te passei o bilhete? Não. Mas se você quer, eu penso agora, eu disse. Pensa, Ângela disse. Existem duas hipóteses. A primeira é que você me viu no carro e se interessou pelo meu perfil. Você é uma mulher agressiva, impulsiva e decidiu me conhecer. Uma coisa instintiva. Apanhou um pedaço de papel arrancado de um caderno e escreveu rapidamente o nome e o telefone. Aliás quase não deu para eu decifrar o nome que você escreveu. E a segunda hipótese? Que você é uma puta e sai com uma bolsa cheia de pedaços de papel escritos com o seu nome e o telefone. Cada vez que você encontra um sujeito num carro grande, com cara de rico e idiota, você dá o número para ele. Para cada vinte papelinhos distribuídos, uns dez telefonam para você.
E qual a hipótese que você escolhe?, Ângela disse. A segunda. Que você é uma puta, eu disse. Ângela ficou bebendo o martíni como se não tivesse ouvido o que eu havia dito. Bebi minha água mineral. Ela olhou para mim, querendo demonstrar sua superioridade, levantando a sobrancelha - era má atriz, via-se que estava perturbada - e disse: você mesmo reconheceu que era um bilhete escrito às pressas dentro do carro, quase ilegível.
Uma puta inteligente prepararia todos os bilhetinhos em casa, dessa maneira, antes de sair, para enganar os seus fregueses, eu disse.
Não. Ou melhor, não me interessa, eu disse. Como que não interessa? Ela estava intrigada e não sabia o que fazer. Queria que eu dissesse algo que a ajudasse a tomar uma decisão.
Simplesmente não interessa. Vamos jantar, eu disse.
Com um gesto chamei o maître. Escolhemos a comida. Ângela tomou mais dois martínis.
Nunca fui tão humilhada em minha vida. A voz de Ângela soava ligeiramente pastosa. Eu se fosse você não bebia mais, para poder ficar em condições de fugir de mim, na hora em que for preciso, eu disse.
Eu não quero fugir de você, disse Ângela esvaziando de um gole o que restava na taça. Quero outro.
Aquela situação, eu e ela dentro do restaurante, me aborrecia. Depois ia ser bom. Mas conversar com Ângela não significava mais nada para mim, naquele momento interlocutório. O que é que você faz?
Controlo a distribuição de tóxicos na zona sul, eu disse. Isso é verdade?
Você não viu o meu carro?
Você pode ser um industrial.
Escolhe a sua hipótese. Eu escolhi a minha, eu disse. Industrial. Errou. Traficante. E não estou gostando desse facho de luz sobre a minha cabeça. Me lembra as vezes em que fui preso.
Não acredito numa só palavra do que você diz. Foi a minha vez de fazer uma pausa. Você tem razão. É tudo mentira. Olha bem para o meu rosto. Vê se você consegue descobrir alguma coisa, eu disse.
Ângela tocou de leve no meu queixo, puxando meu rosto para o raio de luz que descia do teto e me olhou imensamente.
Não vejo nada. Teu rosto parece o retrato de alguém fazendo uma pose, um retrato amigo, de um desconhecido, disse Ângela: Ela também parecia o retrato antigo de um desconhecido. Olhei o relógio.
Vamos embora?, eu disse. Entramos no carro. Às vezes a gente pensa que uma coisa vai dar cerro e dá errado, disse Ângela. O azar de um é a sorte do outro, eu disse. menino e viajava de noite a lua sempre me acompanhava, varando as nuvens, por mais que o carro corresse.
Vou deixar você um pouco antes da sua casa, eu disse. Por quê?
Sou casado. O irmão da minha mulher mora no teu edifício. Não é aquele que fica na curva? Não gostaria que ele me visse. Ele conhece o meu carro. Não há outro igual no Rio.
A gente não vai se ver mais?, Ângela perguntou. Acho difícil.
Todos os homens se apaixonam por mim. Acredito.
E você não é lá essas grandes coisas. O teu carro é melhor do que você, disse Ângela. Um completa o outro, eu disse. Ela saltou. Foi andando pela calçada, lentamente, fácil demais, e ainda por cima mulher, mas eu tinha que ir logo para casa, já estava ficando tarde.
Apaguei as luzes e acelerei o carro. Tinha que bater e passar por cima. Não podia correr o risco de deixá-Ia viva. Ela sabia muita coisa a meu respeito, era a única pessoa que havia visto o meu rosto, entre todas as outras. E conhecia também o meu carro. Mas qual era o problema? Ninguém havia escapado.
Bati em Ângela com o lado esquerdo do pára-lama, jogando o seu corpo um pouco adiante, e passei, primeiro com a roda da frente - e senti o som surdo da frágil estrutura do corpo se esmigalhando - e logo atropelei com a roda traseira, um golpe de misericórdia, pois ela já estava liquidada, apenas talvez ainda sentisse um distante resto de dor e perplexidade.
Quando cheguei em casa minha mulher estava vendo televisão, um filme colorido, dublado.
Hoje você demorou mais. Estava muito nervoso?, ela disse.
Estava. Mas já passou. Agora vou dormir. Amanhã vou ter um dia terrível na companhia.


Autor: Rubens Fonseca

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ciarán's well


Noites frias e nubladas
Você irá ouvi-la suspirar e cantar amargamente
doces cantigas.
Durante anos ela rezou.
Os santos lançariam um feitiço 
para a floresta deixá-la ir

Ela canta...
Ela sonha...
Ela reza...

O velho poço negro guarda antigas histórias
e faz todos os desejos se tornarem realidade
Então jogue seu sonho na escuridão
e a tristeza virá até você.

Ela canta...
Ela sonha...
Ela reza...

Ela canta...
Ela toca...
Ela fica...

"Você está seguro comigo,
venha até mim e banhe-se nestas sagradas, 
água santificadas.
Purifique sua alma e mente, 
eu levarei sua tristeza para longe
Eu irei libertá-la de sua dor, 
os santos hão de cuidar de você. 
A salvação está perto, respire a vida, minha querida."



Cavalheiro solitário


Não sei para onde vou e o que me espera,
estou vazio e sem idéias.
Onde todo sentimento está?
Eu morri, porém, retornei. Retornei diferente.
Não sei como explicar.
Será que ainda estou morto?
Sim, não, mas estou no esquecimento.

A brisa fria sopra em meu rosto
nesse cemitério de tormentos
Queria ter um descanso absoluto
porém a escuridão é maior.
Descobrir o que há com meu ser
é um sonho de antigos tempos.

Estou derramando lágrimas de sangue,
da minha boca está saindo palavras rudes.
Por que?
Alguém teria algo de bom para me dar?
Eu necessito. 

Peço memórias, mas tenho medo
de olhar para trás e me tornar
ainda mais frio.
Se é possível me tornar mais frio.
Em meio a neblina vejo uma ponte
e tenho vontade de passar por ela,
mas tenho medo de não mais voltar.
Então eu fico, sem saber se vou
ou se volto. Sem saber se tenho vida.

Dedicado à: Kalel Luiz


domingo, 15 de julho de 2012

De onde vem o medo do escuro?


Saudações leitor! Estou sem criatividade, mas assisti a um documentário que achei muito interessante e explicativo. Através de fatos  e lendas contados por vários estudiosos, ele apresenta teorias de porque temos medo do escuro. 

"Quem vive num centro urbano ou numa grande área urbanizada, ao olhar para o céu limpo, não conseguirá ver tantos corpos celestes quanto aqueles que aparecem nas imagens que tanto povoam livros e sites. Se formos para o interior, no entanto, em uma região pouco urbanizada, com pouca presença de civilização, o céu parece muito mais brilhante e visível."



sábado, 7 de julho de 2012

O Zodíaco

"Olá membros do Alba Lupus ou leitores curiosos, comecei o mês de julho postando um poema chamado Angustia. Espero que gostem deste conteúdo.
Eu estava procurando um determinado livro no shopping, quando Khaos avistou um livro interessante e disse que tinha tudo haver comigo, então fui dar uma lida rápida e gostei muito. A partir disso tive uma ideia para essa postagem. Deixarei aqui no blog um pouco sobre Zodíaco. 




O termo astrológico Zodíaco, que significa «círculo de animais», surgiu na antiguidade e indicava o grande cinturão celeste que marcava a trajectória do sol. Durante a sua trajectória, o Sol passava por várias constelações, as quais eram simbolizadas por figuras. No entanto, o Zodíaco variava de civilização para civilização, tanto no número de constelações como nas figuras que as indicavam.

A actual versão do Zodíaco é então o resultado de uma mistura de várias influências da astrologia e conhecimento milenar dos babilónios, egípcios, gregos e romanos. As doze constelações que dão origem aos signos da astrologia ocidental (Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes) foram padronizadas ainda na antiguidade. O estabelecimento do Zodíaco proporcionou o aparecimento dos horóscopos individuais e surgiram os mapas astrais, onde através da análise do céu, aquando do momento do nascimento, se conseguiam indicações sobre o destino da pessoa.
A definição dos perfis de cada um dos signos pensa-se ter surgido ainda no inicio da era cristã. Para além das estações do ano, também foram tidos em conta outros factores como por exemplo, a observação do temperamento de pessoas nascidas nos mesmos períodos.
Com o passar dos séculos, a trajectória do sol tem-se alterado, sendo que hoje, o sol passa por certas constelações que não fazem parte do zodíaco e a relação entre a astrologia e a astronomia deixou de existir. Estes factos conduziram a que a astronomia e a ciência não apoiem a astrologia, dizendo que nunca foi observada qualquer relação entre a posição dos astros e a personalidade humana. Argumentam ainda que, qualquer influência de astros no planeta é explicada por leis físicas naturais que não têm qualquer influência na mente humana, não reconhecendo, de modo algum, a validade da astrologia.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Angustia


Este mundo é podre,
e podre também sou.
Podre por ficar longe,
podre por não tentar
podre por ficar perto.
Podre por tentar e cair,
podre por não me erguer,
podre por nojo de mim.

A angustia canta em meu ser.
Ou sou marionete dos deuses,
ou me obrigo a sofrer.
Ando em silêncio, 
tentando viajar em histórias
daquelas mais bonitas,
onde os feiticeiros tem suas glórias.
Ah! Mas quando acaba as páginas
procuro outros amantes,
pois é difícil ficar nesta solidão constante.

Um dia alimentarei a terra
com meu corpo,
então, serei como um corvo.
Aproveitarei minhas asas
e voarei alegre pela noite.
Hoje, sou apenas prisioneiro
das sombras.